O segundo dia de atividades do Encontro Percussivo EMESP+UNESP foi marcado pelo contraste entre os assuntos abordados nos eventos. Obras de J. S. Bach executadas na marimba e vibrafone, palestra sobre a cultura do Djembê e reflexões sobre o reco-reco foram alguns dos destaques
No dia 29 de agosto, a unidade Brooklin da Tom Jobim EMESP
foi o palco das atividades do Encontro Percussivo. Uma das atrações da programação foi a master class “J. S. Bach para marimba e vibrafone”, com Carlos Tarcha. A obra de Bach é, possivelmente, uma das que mais recebeu transcrições para os mais diferentes instrumentos. Mesmo assim, não deixou de ser surpreendente ouvir a famosa Chacona para violino solo ser tocada em um vibrafone, instrumento que, quando usado para solos, raramente executa outro repertório que não o de música contemporânea.
Ao transcrever algumas das peças de Bach para a marimba e o vibrafone, Carlos Tarcha ressaltou também a importância pedagógica dessas obras na formação do estudante. “Existe uma falta de peças interessantes de nível intermediário para a percussão, principalmente, para quem está tocando com quatro baquetas há pouco tempo. Executar obras de Bach é uma boa forma de treinar diferentes tipos de escalas e arpejos, sem ter que recorrer a exercícios cansativos, de pouca musicalidade”, afirma o percussionista e professor da Escola Superior de Música de Colônia, na Alemanha.
Outro destaque da programação foi a palestra que o Instituto África realizou sobre a cultura do Djembê e a vida musical da Guiné e da Burkina Faso. O grupo, liderado por Luis Kinugawa e Fanta Konatê, exemplificou vários ritmos do Oeste da África nos diferentes tambores da família do Djembê, com a baliarina Fanta Konatê mostrando - e colocando o público para dançar - alguns passos de danças do local. Por meio de exemplos em vídeo, o grupo também abordou como a música e a dança estão presentes nos rituais em diferentes contextos, como batismos e casamentos.
Para a estudante de percussão Cristina Akachi, aluna da USP e da Escola Municipal de Música, o Encontro foi um sucesso. “Talvez pelo fato da Tom Jobim EMESP oferecer aulas tanto na área popular quanto na erudita, o evento conseguiu uma abrangência que é muito positiva”, declarou a estudante.
O concerto da Banda Sinfônica Jovem do Estado, às 19h, no Memorial da América Latina encerrou a programação do dia. Sob regência de Ricardo Bologna, a apresentação teve a participação de Carlos Tarcha e do grupo Durum.